Yuino e casamento: qual é a diferença, é normal não fazer yuino e por que aparecem tantos parentes de repente?
Quando você ouve alguém falar de casamento, no meio do caminho o vocabulário simplesmente explode.
Yuino (o ritual tradicional japonês de noivado entre as duas famílias). O encontro das famílias. A cerimônia. A festa. O registro do casamento.
E, perto do casamento, já não bastam pais, irmãos e avós. Tios, tias, primos e os respectivos cônjuges... gente que você quase nunca vê no dia a dia surge de uma vez só na lista de mesas.
Ao olhar essa lista e ver parentes em quem você nem pensa aparecendo todos juntos, a reação vem sozinha:
"Poxa, de onde saiu tanto parente de repente?"
Indo direto à conclusão: yuino e casamento são coisas diferentes. Não fazer yuino hoje também não tem nada de incomum. E a impressão de que os parentes se multiplicaram no casamento não vem de a festa "criar" parentes, e sim de o casamento e os rituais deixarem à mostra, de uma vez, a rede das duas famílias.
1. Primeiro, vamos organizar: yuino, cerimônia, festa e registro têm funções diferentes
De forma bem simples, fica assim:
| O quê | Para que serve |
|---|---|
| Yuino | Ritual tradicional japonês em que as duas famílias confirmam formalmente o noivado |
| Almoço ou jantar de apresentação das famílias | Encontro mais descontraído para as famílias se conhecerem, comemorarem o noivado e criarem laços |
| Cerimônia de casamento | O rito em que o casal jura se casar |
| Festa (recepção) | Evento para anunciar o casamento a parentes, amigos e colegas de trabalho e recebê-los |
| Registro do casamento | O trâmite que torna o casamento válido perante a lei no Japão |
A Zexy, uma revista e site japonês de casamentos bem conhecido, também descreve o yuino como um "ritual de noivado", a cerimônia como o momento de jurar o casamento e a festa como a comemoração para apresentar o casamento às pessoas ao redor. [1][2]
Além disso, pela lei japonesa, o casamento passa a valer por meio do trâmite previsto na Lei do Registro Familiar. O guia do Ministério da Justiça sobre o registro também se baseia no artigo 739 do Código Civil e no artigo 74 dessa lei. [3]
Resumindo bem grosseiramente:
O yuino é o ritual em que as duas famílias acertam o noivado.
A cerimônia é o ritual de jurar o casamento.
A festa é o banquete para mostrar a todo mundo que "a gente se casou".
O registro é o interruptor jurídico.
Como tudo aparece mais ou menos na mesma época, acaba misturando, mas cada um tem o seu departamento.
2. "A gente não fez yuino" hoje é até o mais comum
A palavra "yuino" soa bem pesada. Tem ar de formalidade e pode envolver presentes de noivado, dinheiro, roupa, roteiro e costumes de cada família, então é fácil achar que "quem vai casar deveria fazer isso também".
Mas a realidade atual é o contrário.
Na Pesquisa de Tendências de Casamento 2024 da Zexy, a estimativa nacional é de que só 7% dos casais fizeram yuino. Já 85,6% fizeram apenas o encontro das famílias. Os que fizeram os dois foram 5,3%, e os que fizeram só o yuino, 1,7%. [1][4]
Ou seja, no Japão de hoje o maior grupo é o do "sem yuino, com encontro das famílias".
Então "não ter feito yuino" está mais para o caminho padrão atual do que para ter pulado uma etapa.
Há o pedido de casamento ou a decisão de se casar, a visita aos pais e o encontro das famílias, e depois vêm o registro e a cerimônia. O yuino não é uma barreira obrigatória nesse caminho.
3. Mesmo assim, a família que faz yuino passa a imagem de quem "faz tudo direitinho"
Justamente porque hoje poucos fazem, quando o yuino acontece ele se destaca como ritual tradicional.
No yuino, as duas famílias confirmam o noivado e, dependendo da região e do jeito de cada casa, podem trocar presentes e dinheiro. As práticas variam por região, e hoje muitos casais dispensam o intermediário. [1]
O ponto importante é que o yuino não é um "casamento em miniatura".
O casamento é onde o casal jura e anuncia a união; o yuino vem antes e tem mais o sentido de "as duas famílias aceitam formalmente este noivado".
Por isso, ver um casal que faz questão do yuino não é só ver mais um evento na lista: dá a sensação de que eles tratam o casamento não apenas como uma decisão a dois, mas como um marco para as duas famílias.
Pensar "nossa, esses aí fazem tudo certinho" tem tudo a ver com a estrutura da coisa.
4. Por que no casamento parece que há "parente demais"
Normalmente você quase nunca vê todos os parentes ao mesmo tempo.
A família que aparece no cotidiano se concentra num círculo próximo, como pais e irmãos. Mas, no casamento, define-se a lista de convidados, apresentam-se os parentes, monta-se o mapa de mesas, tiram-se fotos e chamam-se as duas famílias juntas.
Aí os parentes que você sabia que existiam, mas nunca tinha em mente, são carregados todos na mesma tela.
Tios, tias, primos, cônjuges dos irmãos, parentes do outro lado.
Não é que alguém que ontem era zero tenha brotado hoje do nada. É que relações que estavam espalhadas se conectam de uma vez em torno do evento do casamento.
Isso se aproxima bastante da explicação para a sensação de que "os parentes aumentaram".
O casamento é menos uma máquina de criar parentes e mais o botão de "mostrar tudo" da rede da família.
5. Juridicamente, também existe um lado em que "casar amplia o círculo de parentes"
Essa sensação não é só impressão.
O artigo 725 do Código Civil japonês lista como parentes os "consanguíneos até o sexto grau", o "cônjuge" e os "afins até o terceiro grau". [5]
Afins são os parentes que surgem pelo casamento, como a família do cônjuge.
Mas aqui a distinção é importante.
Fazer a cerimônia não gera parentes legais naquele instante. O casamento no sistema japonês passa a valer juridicamente pelo registro. [3]
E nem todos os parentes do outro lado que vão à festa se tornam, sem limite, seus parentes legais. O "parente" do Código Civil tem um alcance definido. [5]
Por isso, o "parente demais" que se sente no casamento é a soma de dois fenômenos.
Um é que o casamento cria a relação jurídica com os afins.
O outro é que a cerimônia torna socialmente visíveis relações de parentesco que antes ficavam fora da vista.
Na prática você sente os dois ao mesmo tempo, e por isso a coluna de parentes parece ter se expandido do nada.
6. No fim das contas, o casamento deixa de ser "assunto de duas pessoas" e passa a ser "assunto de duas famílias"
No começo era a história do namoro e do pedido de casamento de duas pessoas, mas, quando o casamento se concretiza, ele se amplia: visita aos pais, encontro das famílias, registro, cerimônia e festa.
Nesse processo aparecem juntas duas coisas: a sensação de que "casamento é coisa de quem se casa" e a realidade de que "é um evento em que família e parentes também entram bastante".
Hoje a maioria não faz yuino, então nem sempre se passa por tantas etapas de "ritual de família para família" como antigamente. Mesmo assim, no casamento continuam existindo a apresentação dos parentes, o mapa de mesas e os convites, e por isso a rede das duas famílias vem toda para a frente de uma vez. [4][2]
A conclusão é esta:
Não ter feito yuino hoje não tem nada de incomum.
A família que faz o yuino direitinho, mantendo até o ritual tradicional de noivado, realmente parece bem caprichada.
E sentir no casamento que "apareceu parente demais de repente" não é impressão. Só que os parentes não estão surgindo no salão do nada: o casamento e a cerimônia trazem de uma só vez para a frente as pessoas das duas famílias que ficavam ao fundo.
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