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Palavras-chave previstas
- chefe que passa sermão em todo mundo
- chefe que dá sermão longo demais
- cultura de pressão no trabalho
- conselheiro da empresa chato
- sinais de direção perigosa em idosos
- carro com mais amassados, idoso
- idoso que estaciona fora da linha
- chefe que rouba tempo
- veterano que dá bronca no trabalho
- quando entregar a carteira de motorista
A conclusão deste artigo
Tem gente que é durona com os outros, mas não percebe os próprios sinais de perigo.
Por exemplo, no trabalho: passa 20 ou 30 minutos dando bronca em diretor, gerente, supervisor ou subordinado.
Fica repetindo: "Vocês conferem mal as coisas", "A gestão está frouxa", "Olhem direito".
Só que o carro dele tem cada vez mais amassados.
Na hora de estacionar, passa bem da linha da vaga.
E quem anda no carro pensa: "Agora ele nem estava olhando e quase batemos".
Diante de uma cena dessas, dá vontade de dizer:
Antes de dar bronca nos outros, olhe o para-choque do seu próprio carro.
Isso não é só uma indireta.
O problema é a figura de autoridade no trabalho que percebe rapidinho o erro dos outros, mas não enxerga os próprios riscos, o próprio envelhecimento, o tempo que rouba dos outros e a cultura de pressão que cria.
E quando alguém assim está no topo, essa cultura de pressão desce pela hierarquia.
1. Quem dá sermão pode não estar olhando o próprio histórico de perigo
Quem vive dando bronca costuma falar coisas assim:
- Confira direito
- Como é que você não viu?
- A gestão está frouxa
- Falta atenção
- Você não tem senso de responsabilidade
- Pense mais
- Os jovens não entendem nada
Uma parte do que dizem pode até estar certa.
Mas o ponto é se essa pessoa consegue revisar o próprio comportamento.
Dirigir é o exemplo mais claro.
Ao volante aparecem a atenção, o julgamento, a noção de espaço, o tempo de reação, o campo de visão e os movimentos do corpo.
E o carro guarda um registro que não aceita desculpa:
- Amassados no para-choque
- Arranhões na porta
- Passar da linha da vaga
- Manobra de garagem torta
- Demora para olhar ao redor
- Sustos que o passageiro levou
Isso é mais sincero do que qualquer fala.
Mesmo que a pessoa diga "eu estou bem", às vezes a lataria já está entregando a ata da reunião: "Não, você bateu várias vezes ultimamente".
Seu para-choque está até redigindo ata, sabia?
É isso.
2. Amassado e estacionamento torto são um "registro físico"
Ao pensar em idosos no trânsito, julgar só pela idade é desleixo.
Tem gente de 85 anos que dirige com segurança.
E tem gente na casa dos 70 que já dirige de forma perigosa.
O que se deve olhar não é a idade, e sim o registro de direção.
Estes sinais, em especial, pedem atenção:
- O carro tem cada vez mais amassados e arranhões
- A pessoa não lembra como aconteceram
- Passa bastante da linha ao estacionar
- Precisa manobrar várias vezes para entrar na garagem
- Não olha ao redor e quase bate
- Quem está de passageiro sente medo
- Fica irritada quando alguém aponta
- Afirma categoricamente "eu estou bem"
Isso não é motivo para atacar a pessoa.
Mas serve como base para checar a segurança.
A Agência Nacional de Polícia do Japão mantém um serviço de consulta sobre direção segura para motoristas idosos que se preocupam com a perda de capacidades físicas pela idade, e para suas famílias. O telefone nacional de consulta é o #8080.
Ou seja, quando a família ou as pessoas próximas sentem que "isso é perigoso", já não é assunto para piada: é caso de pedir orientação.
3. Dar bronca por 20 ou 30 minutos também é roubo de tempo no trabalho
Quem passa muito tempo dando bronca no trabalho pode achar que está "orientando".
Mas, para quem recebe, um sermão de 20 ou 30 minutos custa muito caro.
Tirar 30 minutos de uma pessoa são 30 minutos.
De duas pessoas, 1 hora.
Se isso acontece várias vezes por semana, a empresa inteira queima uma enorme quantidade de tempo.
E se, depois da bronca:
- A decisão ficasse clara
- O prazo fosse definido
- As responsabilidades fossem organizadas
- Saísse uma medida para evitar repetição
- O trabalho andasse
Ainda dava para entender.
Mas, na prática, às vezes termina em:
- Histórias do passado
- Discurso de força de vontade
- Mostrar quem manda
- Sermão
- Descarregar a raiva
- Provar que ainda existe
- Só calar o outro
Isso não é orientação.
Isso é o pedágio do velho resmungão.
Toda vez que você passa, perde 20 ou 30 minutos.
Mas a estrada não melhora.
Só cobram o pedágio.
Para a empresa, é prejuízo.
4. A cultura da pressão desce para os níveis de baixo
O que é realmente perigoso não é uma pessoa só ser chata.
É quando alguém de cima mostra que "dar bronca é orientar" e "pressionar é trabalhar", e essa cultura escorre para baixo.
O conselheiro dá bronca no diretor.
O diretor dá bronca no gerente.
O gerente dá bronca no supervisor.
O supervisor dá bronca na equipe.
E na equipe, todo mundo lê o clima e os de baixo levam bronca de novo.
Assim fica pronto um zoológico furado onde macaco dá bronca em macaco.
Na pesquisa sobre comportamento organizacional também se discute o "trickle-down effect" (efeito cascata), em que o comportamento agressivo ou grosseiro de quem supervisiona desce para os níveis inferiores. Resumindo: o que os de cima fazem não termina na hora, e pode ser copiado como jeito de agir pelos gestores de baixo e pelas equipes.
Por isso, é perigoso descartar quem dá bronca como "aquele chato da velha guarda".
Essa pessoa pode ser a origem da cultura da empresa.
5. Quando o "conselheiro" vira "interrogador", o risco aparece
O papel de conselheiro, em princípio, tem valor.
Tem experiência.
Conhece a história da empresa.
Conhece as relações internas.
Pode ajudar nas grandes decisões.
Pode passar conhecimento para os jovens e para os gestores.
Até aqui, é bem útil.
Mas se o papel fica vago e só o lugar permanece, o conselheiro vira interrogador.
- Em vez de aconselhar, dá sermão
- Em vez de apoiar, pressiona
- Em vez de passar conhecimento, conta história do passado
- Em vez de ajudar na decisão, atravessa
- Prende a pessoa por 20 ou 30 minutos
- Mas não entrega nada concreto
Isso não é conselheiro, é um evento de prova de existência.
Para sentir que a empresa ainda precisa dele, pega alguém e dá bronca.
Ele pode achar que faz isso "pela empresa".
Mas, aos olhos dos outros, é só um alto-falante enferrujado.
6. Quem mais cobra os outros deveria ter uma lista de verificação para si mesmo
Quanto mais exigente com os outros, mais a pessoa deveria ter uma lista de verificação para si.
Verificação do que você fala
- Isso realmente precisa ser dito?
- Estou esticando para 30 minutos algo que se resolveria em 5?
- Ficou claro para o outro o que ele deve fazer?
- Estou só descarregando raiva?
- Estou roubando o tempo dele?
- Isso deixou de ser orientação e virou prova de existência?
Verificação da direção
- O carro está com cada vez mais arranhões?
- Estou passando da linha ao estacionar?
- Meus passageiros ficam com medo?
- Estou demorando para olhar ao redor?
- Estou afirmando categoricamente que "estou bem"?
- Minha família ou as pessoas próximas já disseram que é perigoso?
Verificação do papel
- O que eu falo faz o trabalho avançar?
- Estou ajudando os subordinados e gestores a decidir?
- Estou piorando a cultura com minhas broncas?
- Meu papel ainda está definido hoje?
- Eu realmente faço bem para a empresa?
Se vai dar bronca em alguém, comece se revisando.
O sermão de quem não consegue isso costuma dar prejuízo.
7. Como se proteger quando sobra para você
Quando um desses te pega, rebater de frente só prolonga a conversa.
O que recomendo é não discutir e voltar ao que precisa ser feito.
Frases que você pode usar
Entendi, vou verificar.
Tem alguma coisa que eu precise fazer?
Obrigado. Posso entender isso como um aviso, ou é algo que exige uma ação minha?
Desculpe, tenho um assunto para resolver depois, posso só confirmar os pontos principais?
Já entendi o necessário, vou voltar ao trabalho. Com licença.
Desculpe, entrou uma ligação, preciso ir.
O ponto é não entrar na discussão com o sermão.
"E qual é a minha tarefa?"
"Para quando é?"
"Quem decide?"
"É um aviso ou um pedido?"
Assim você transforma uma conversa de bronca emocional em requisitos de trabalho.
Quando o outro começar o evento de prova de existência, a gente segura com um limite sem fundo.
Se a capivara da bronca vier correndo, pode fechar a porta.
8. Conclusão: antes de dar bronca nos outros, olhe o seu próprio para-choque
Dar bronca nos outros não é errado em si.
Se há um erro realmente perigoso, é preciso apontar.
Também é necessário que o gestor diga o que melhorar para formar a equipe.
Há situações em que se exige conferência rigorosa para proteger a segurança ou a qualidade.
Mas, se quem dá bronca não se revisa, aí é outra história.
O carro tem cada vez mais amassados.
Passa da linha ao estacionar.
Os passageiros sentem medo.
E mesmo assim diz aos outros: "Olhem direito".
Isso é uma baita contradição.
Antes de dar bronca nos outros, olhe o seu próprio para-choque.
Parece grosseiro, mas vai direto ao essencial.
O registro do que você fala.
O registro do tempo que você rouba.
O registro da sua direção.
O registro do seu papel.
O registro da cultura que você deixa escorrer para baixo.
Quem não olha nada disso e só dá bronca nos outros pode virar um perigo para o ambiente de trabalho.
O que o trabalho precisa não é de quem dá bronca.
É de quem se revisa e, ao mesmo tempo, melhora a segurança e a produtividade de quem está ao redor.
Referências e notas de fontes
- Agência Nacional de Polícia do Japão, "Sobre o serviço de consulta de direção segura"
- Agência Nacional de Polícia do Japão, "Sobre a devolução voluntária da carteira de motorista"
- NHTSA: Older Drivers
- NHTSA: Driving Safely While Aging Gracefully
- AARP: Warning Signs of Unsafe Driving
- Mawritz et al. 2012: A Trickle-Down Model of Abusive Supervision
- Liu et al. 2020: Supervision Incivility and Employee Psychological Safety
