Às vezes, Momonga não é um exemplo a seguir: é um equipamento externo
Um homem tem uma pequena pelúcia de Chiikawa presa à mochila.
De fora, a explicação parece simples:
“Ele gosta muito de Chiikawa.” “Ele gosta de coisas fofas.” “Ele quer levar o personagem favorito para todo lugar.”
Tudo isso pode ser verdade.
Mas um produto de personagem pode fazer muito mais do que mostrar fandom.
É agradável de olhar. Dá para apertar quando a pessoa está inquieta. Mostra gostos sem precisar explicar. Pode iniciar conversa com outro fã. Vira acessório para brincar e fazer piada. E, em alguns casos, funciona como uma espécie de “equipamento externo”: uma ajuda para expressar algo que a pessoa teria dificuldade de colocar para fora sozinha.
Trabalho demais para uma pelúcia tão pequena.
Este artigo tenta responder por que alguns homens usam produtos de Chiikawa sem parar em “homens também gostam de coisas fofas”. A ideia é combinar pesquisas recentes do Japão, estudos sobre fofura e toque, a cultura de levar pelúcias para passear e uma hipótese divertida: às vezes o personagem não é “quem você é”. É uma função que você pega emprestada.
0. Em 30 segundos — homem com Chiikawa na mochila não é um bug raro
Os motivos podem se somar:
- Ele simplesmente gosta do personagem.
- Ver algo fofo melhora o humor.
- Tocar uma pelúcia pequena pode ajudar a se estabilizar.
- O acessório mostra gostos sem precisar falar.
- Outros fãs reconhecem e a conversa começa mais fácil.
- A pelúcia pode “ir junto” em viagens e passeios.
- Às vezes a pessoa pega emprestado um traço do personagem para fazer algo que normalmente custa mais.
E a premissa já precisa de ajuste: homens japoneses também gostam bastante de Chiikawa.
Em uma pesquisa nacional realizada entre o fim de 2025 e o início de 2026, Chiikawa apareceu entre os três personagens favoritos dos homens. Entre homens de 30 a 49 anos, ficou em primeiro lugar.[1]
Então a pergunta mais interessante não é:
“Por que um homem gosta de Chiikawa?”
É:
“Para que esse personagem serve na vida cotidiana dele?”
1. “Pelúcia é coisa de mulher” já descreve mal a realidade
Uma pesquisa japonesa de 2023 sobre produtos de fandom, com pessoas dos 10 aos 30 e poucos anos, encontrou o mesmo resultado curioso: entre os homens, o tipo de produto favorito foi pelúcia pequena e média.[2]
Pelúcias grandes vieram em segundo lugar e figuras em terceiro.
Ou seja, a divisão:
“homem compra figura, mulher compra pelúcia”
é simplista demais.
Isso não significa que diferenças entre homens e mulheres tenham desaparecido.
Na pesquisa de 2026, 34% dos homens e 53% das mulheres disseram ter um personagem favorito.[1]
Mas isso está bem longe de significar que um homem com personagem na mochila seja uma exceção estranha.
Há muitos homens fãs. E muitos deles também escolhem pelúcias.
Às vezes o estereótipo envelheceu mais do que o chaveiro.
2. A reação ao “fofo” não é um recurso exclusivo das mulheres
É razoável pensar que mulheres talvez reajam mais à fofura.
Alguns estudos realmente encontram diferenças entre os sexos na avaliação de quanto algo parece fofo.
Mas um experimento conhecido de 2012 mostrou que ver imagens de animais fofos podia mudar atenção e cuidado em tarefas. Nos resultados comportamentais, não apareceram efeitos significativos de gênero.[3]
Isso não prova que homens e mulheres gostem de Chiikawa do mesmo jeito.
A conclusão útil é mais limitada:
os efeitos psicológicos de perceber algo como fofo não são automaticamente exclusivos de mulheres.
Pequeno. Arredondado. Expressão fácil de ler. Vontade de chegar perto. Uma sensação de relaxar um pouco.
Não existe um “modo homem” que desative tudo isso.
3. Presa à mochila, a pelúcia deixa de ser só posse e vira companhia
Se fosse apenas coleção, dava para deixar em casa.
Então por que pendurar na mochila?
Aqui entra a cultura de sair com pelúcias.
Em 2025, o SHIBUYA109 lab. pesquisou 507 mulheres de 15 a 24 anos. A forma mais comum de “atividade com pelúcia” foi justamente prender o boneco à bolsa ou mochila, com 59,4%.[4]
A amostra era só de mulheres, portanto essa porcentagem não deve ser aplicada diretamente aos homens.
Mas o comportamento ajuda a entender a função.
Na mochila, a pelúcia pode:
ir junto, aparecer em fotos, “olhar” uma loja ou uma paisagem, combinar com a roupa, fazer parte do passeio e não ficar parada numa prateleira.
Ela passa de “eu tenho isso” para “eu trouxe isso comigo”.
Nem é preciso conversar em voz alta.
Pensar:
“Olha, tem mais coisa de Chiikawa ali”
e virar a pelúcia para a vitrine já é praticamente o espírito da brincadeira.
4. “Apertar me acalma” não precisa ser só imaginação
Algumas pessoas, quando ficam inquietas fora de casa, mexem automaticamente na pequena pelúcia presa à mochila.
É macia. É familiar. Está sempre no mesmo lugar. Dá algo repetitivo para a mão fazer.
Isso pode virar uma pequena rotina de estabilização.
Mas não vale exagerar a ciência.
Não há experimento demonstrando que apertar especificamente uma pelúcia de Chiikawa reduz hormônios do estresse.
Por outro lado, um estudo aleatorizado com 159 participantes observou que toque de autoacalmar e receber um abraço estiveram associados a respostas de cortisol menores após uma tarefa de estresse social, em comparação com grupos de controle.[5]
Então o toque não é irrelevante para regulação de estresse.
Quando se junta isso a um objeto familiar e a um personagem querido, não é estranho que a pessoa transforme a pelúcia em um recurso pessoal de calma.
A frase cuidadosa não é:
“Pelúcia cura estresse.”
É:
“Para algumas pessoas, tocar uma pelúcia familiar vira um hábito prático para se acalmar.”
5. O produto pode dizer “eu gosto disso” sem discurso
Produtos de personagem são uma forma eficiente de expressão pessoal.
Não é preciso anunciar:
“Eu gosto dessa obra.” “Eu gosto desse tipo de humor.” “Eu gosto desse visual.”
A mochila já comunica uma parte.
Pesquisas sobre posse e identidade discutem há décadas como objetos importantes podem ser incorporados à forma como uma pessoa percebe a si mesma.[6]
O relatório do SHIBUYA109 lab. também descreve jovens usando pelúcias como uma espécie de representação de si ou como uma maneira discreta de mostrar gostos.[4]
Essa é a força do acessório.
Antes de alguém dizer:
“Sim, eu curto Chiikawa”,
Momonga já está ali, pendurado, fazendo a apresentação.
Parte do trabalho social foi terceirizada.
6. Forma final: o personagem vira equipamento externo
Agora fica mais interessante.
Nem sempre gostamos de um personagem porque ele se parece conosco.
Às vezes acontece o oposto:
o personagem tem uma função que falta na gente.
Imagine alguém que acha difícil fazer até pedidos pequenos.
“Quero comer isso.” “Quero ir ali.” “Espera um pouco.” “Disso eu não gosto.”
Frases completamente razoáveis.
Mas, na hora de falar, aparece um freio.
Agora imagine que na mochila há um personagem descarado, exigente e tão sem vergonha que o espectador pensa:
“Meu Deus. Um dia o karma ainda pega esse bicho.”
O personagem pode virar uma pequena permissão:
“Talvez eu também possa pedir alguma coisa de vez em quando.”
Isso não significa querer virar o personagem.
Significa:
pegar emprestada uma função.
Como um item equipado num jogo.
Pesquisas sobre distanciamento psicológico mostram que pequenas mudanças de perspectiva — como pensar sobre si usando o próprio nome em vez de “eu” — podem criar distância psicológica e ajudar na regulação emocional.[7]
Isso não prova que pendurar uma pelúcia melhora assertividade.
Aqui é uma interpretação aplicada.
Mas a estrutura é fácil de reconhecer:
o que parece pesado como “eu estou exigindo algo” pode ficar um pouco mais leve quando passa pelo enquadramento brincalhão de um personagem.
Momonga não é filosofia.
Momonga é equipamento.
7. Gostar de Momonga não significa querer um relacionamento no estilo Momonga
Essa separação é importante.
Pode ser muito engraçado assistir a um personagem fictício egoísta fazendo pedidos absurdos.
Como espectador, dá para pensar:
“Lá vem de novo.” “Que cara de pau.” “Por favor, karma, faça seu trabalho.”
Isso não significa querer uma pessoa real fazendo exigências o tempo todo enquanto você vira cuidador permanente.
Gostar de uma dinâmica na ficção e querer viver dentro dela são coisas diferentes.
Você pode gostar de vilões sem querer dividir apartamento com um.
Pode gostar de terror sem querer um fantasma no corredor.
A lógica é a mesma.
Talvez você queira pegar emprestada a capacidade de Momonga de pedir.
Isso não significa querer se candidatar ao cargo de Kani-chan.
8. Uma pelúcia pode ser amuleto, acessório, ferramenta social e brinquedo ao mesmo tempo
Na pesquisa de 2025 do SHIBUYA109 lab., 70,3% das jovens pesquisadas disseram que carregar uma pelúcia podia parecer semelhante a carregar um amuleto.[4]
Cerca de um terço também disse personificar suas pelúcias.
De novo: esses números vêm de uma amostra feminina e não devem ser copiados para homens.
Mas a lista de funções é interessante.
Uma única pelúcia pode ser:
amuleto, acessório de moda, sinal de fandom, objeto de foto, início de conversa, objeto calmante, pequeno parceiro de brincadeira.
Um celular precisaria de vários aplicativos para fazer tanta coisa.
A pelúcia já vem com o pacote instalado.
Não precisa de bateria.
Se for apertada de vez em quando, continua trabalhando.
Função demais por grama.
9. Em um homem, usar algo fofo pode deixar mais visível que o gosto é uma escolha própria
Em alguns ambientes, um homem com um personagem fofo ainda chama um pouco mais de atenção.
Isso pode produzir um efeito curioso.
A escolha parece mais deliberada.
Em vez de otimizar por:
“Isso parece masculino o bastante?”
a pessoa pode simplesmente escolher:
“Eu gosto, então uso.”
Nem todo mundo está fazendo uma grande declaração sobre gênero.
Talvez tenha ganhado numa máquina. Talvez tenha recebido de presente. Talvez só tenha achado engraçado.
Isso já basta.
Mas o resultado pode comunicar silenciosamente:
“Eu decido do que gosto.”
Pendurar uma criatura pequena na mochila não apaga a masculinidade de ninguém.
Identidade pessoal não é sobrescrita tão fácil.
A mochila só ganhou um passageiro.
10. Conclusão — Chiikawa pode fazer muito mais do que decorar
Por que homens usam produtos de Chiikawa?
Uma resposta compacta seria:
porque um personagem favorito fica mais útil quando pode participar da vida cotidiana.
Pode ser fofo. Engraçado. Tocável. Calmante. Sinal de gosto. Início de conversa. Companhia de passeio. Às vezes até uma pequena peça de personalidade emprestada.
Nem todo fã usa todas essas funções.
Mas reduzir tudo a “um homem usando algo fofo” perde a maior parte do que o objeto está fazendo.
A pequena pelúcia pode ser ao mesmo tempo:
personagem favorito, decoração, amuleto, objeto tátil, sinal social, representação e equipamento externo.
Momonga está trabalhando além do contrato.
- Nippon Research Center (2026), pesquisa sobre personagens favoritos nrc.co.jp
- TAITO (2023), pesquisa sobre fandom e produtos prtimes.jp
- Nittono et al. (2012), The Power of Kawaii pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- SHIBUYA109 lab. (2025), pesquisa sobre atividades com pelúcias da Geração Z shibuya109.co.jp
- Dreisoerner et al. (2021), Self-soothing touch and being hugged reduce cortisol responses to stress pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- Furukawa et al. (2022), Development of a Japanese version of the Psychological Ownership Scale pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- Moser et al. (2017), Third-person self-talk facilitates emotion regulation without engaging cognitive control pmc.ncbi.nlm.nih.gov
