Descrição: Entenda por que Eren maltrata os amigos em Attack on Titan, o que Zeke revela sobre os Ackerman, quando Armin conversa com Eren nos Caminhos e como o caos vivido por Gabi se conecta ao Desencadeamento.
Spoilers completos: mangá até o capítulo 139 e final do anime.
O festival de desgraças da Gabi termina na pior reunião de amigos possível
Gabi chega a Paradis acreditando que os moradores da ilha são demônios. Kaya e a família Braus a tratam bem e começam a desmontar essa certeza. Só que Nicolo descobre que Gabi matou Sasha, a pessoa por quem ele tinha sentimentos. Ele ataca com uma garrafa de vinho, Falco recebe o golpe no lugar dela, e Artur, pai de Sasha, recusa a vingança. Kaya, profundamente ligada a Sasha, pega uma faca e avança contra Gabi.
A mesma casa oferece acolhimento e fúria. Para piorar, Falco pode ter ingerido vinho misturado ao fluido espinhal de Zeke. Ele ainda não se transformou, mas um grito de Zeke pode provocar a transformação. Quando Gabi está à beira de desmoronar, Eren aparece exibindo a palma da mão ensanguentada, deixando claro o risco de se transformar em Titã.
A corrida do sofrimento não tem ponto de salvamento. A próxima fase é assistir ao sujeito que pretende esmagar o mundo destruir psicologicamente os próprios amigos de infância.
O que Eren disse naquela mesa?
No capítulo 112, Eren acusa Armin de estar dominado pelas lembranças de Bertholdt. A Mikasa, afirma que os Ackerman obedecem a um instinto de proteger um suposto mestre. E então diz que sempre a odiou. Armin perde a cabeça, parte para cima dele e acaba apanhando.
O tom é o de uma agressão calculada, não de uma conversa para resolver diferenças. A mão ferida de Eren também funciona como ameaça implícita de transformação.
O que era mentira e o que era sentimento?
No capítulo 130, Zeke descarta a explicação de que um Ackerman seja obrigado a se vincular a um mestre. Para ele, Mikasa protege Eren por amor. No capítulo 139, Eren revela a Armin sentimentos intensos e contraditórios por ela. Portanto, o suposto ódio dito à mesa esconde justamente o contrário.
Armin já preferia o diálogo antes de herdar o Titã Colossal. Memórias de um antigo portador podem influenciar alguém, mas não provam que toda a personalidade dessa pessoa tenha sido sequestrada. Eren usa essa acusação para ferir o amigo.
Ele ama os dois e, mesmo assim, escolhe machucá-los. É essa contradição que faz a cena doer.
Quando aconteceu a conversa apagada?
O capítulo 139 mostra que Eren conversou com Armin nos Caminhos durante a viagem de navio da aliança até Odiha, com o Desencadeamento em andamento. Eles revisitam as paisagens sonhadas na infância e falam da destruição, de Mikasa e dos desejos de Eren. Depois, Eren apaga temporariamente a lembrança. O retorno de Armin ao navio se liga ao capítulo 131; a memória volta depois da morte de Eren.
A cabana vivida por Mikasa no capítulo 138 é outra questão. A resistência dos Ackerman à manipulação de memórias importa, e a obra não confirma que ela tenha passado pelo mesmo processo de esquecimento e recuperação de Armin.
Primeiro magoar, depois contar a verdade e deixar o amigo descobrir tudo só após a morte. A despedida virou um quebra-cabeça póstumo.
Por que não usar os Caminhos para negociar a paz?
Eren só consegue usar plenamente o poder do Fundador quando o Desencadeamento já começou. Os Caminhos ligam os súditos de Ymir; não permitem reunir automaticamente os líderes de todas as nações.
Havia propostas anteriores, como um Desencadeamento limitado para ganhar tempo e um plano de cinquenta anos. O custo seria obrigar Historia e seus descendentes a herdar Titãs, algo que Eren rejeitou. A segurança da ilha continuaria incerta.
Mas os capítulos 131 e 139 revelam outra força por trás da escolha: Eren também desejava achatar o mundo exterior que havia frustrado seu sonho de liberdade. A proteção dos amigos e as lembranças do futuro não apagam a participação da vontade dele próprio.
O sujeito que mais fala de liberdade
Gabi descobre que seus supostos inimigos podem ser gentis, revoltados e capazes de perdoar. Eren insiste que é livre, mas tira dos amigos a chance de decidir conhecendo a verdade. Amor e violência convivem na mesma história.
E a pobre Gabi? Escapa de uma crise de vingança familiar e vai parar na plateia do rompimento de amizade mais perigoso do planeta. O prêmio por completar a maratona de desgraças é uma prova de filosofia sobre liberdade. Alguém libera essa menina do restaurante, por favor.
