Encontrar os amigos deixa você sem energia? Antes de reduzir seu círculo, tente mudar o jeito de conviver

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Você volta de um jantar com amigos e, embora devesse ter sido divertido, está sem energia. No trem de volta, repassa a conversa: “Será que pegou mal eu ter falado daquele jeito?”. Mesmo depois de chegar em casa, continua pensando em como responder ao próximo convite. Quando isso se repete, dá vontade de perguntar: “Será que ter menos amigos me faria mais feliz?”.

Mas o que você quer diminuir: o número de pessoas ou o tempo que passa em estado de tensão? Separar essas duas coisas ajuda a enxergar outras saídas além de cortar todos os vínculos. Encontros mais curtos, um aviso de que nem sempre você vai responder na hora, uma escolha de com quem conversar sobre questões mais profundas. O primeiro ajuste pode estar no jeito de se relacionar.

O cansaço de se divertir e o desgaste que continua depois de chegar em casa

Passar o dia fora com alguém de quem você gosta cansa o corpo. Se conversar em grupos grandes é difícil para você, até um encontro agradável pode dar vontade de ficar em silêncio depois. Não é preciso decidir o destino de uma amizade por ter sentido cansaço uma única vez.

Vale observar em que você gastou energia.

  • O assunto não acabava porque a conversa estava ótima ou você continuou falando por medo do silêncio?
  • Você teve consideração pela outra pessoa ou escondeu sua opinião para não desagradar?
  • Dessa vez era sua vez de ouvir um desabafo ou você sempre fica no papel de quem escuta?
  • Quando você recusou um convite, um “fica para a próxima” foi suficiente ou exigiram uma longa explicação?

Aqui, falar no “custo de uma relação” não é colocar uma etiqueta de preço no valor de alguém. É uma forma de identificar o que você está assumindo: conciliar agendas, sentir pressa para responder ou fazer um esforço para parecer alegre quando não está.

Quando um amigo passa por uma fase difícil, pode ser que você fique por algum tempo no papel de quem oferece mais apoio. Não é preciso receber a mesma coisa de volta em cada ocasião. Ainda assim, vale preservar espaço para dizer o que cabe na sua vida e quais são seus limites.

Antes de se afastar, diminua um pouco um dos programas

Se os longos jantares semanais estão pesando, por exemplo, você pode propor: “Este mês estou sem muita disponibilidade. Que tal a gente tomar um café no mês que vem?”. Se as conversas sobre problemas seguem até tarde da noite com frequência, tudo bem colocar um limite: “Hoje vou descansar. Amanhã posso te ouvir um pouco”.

Em vez de fazer um julgamento sobre a pessoa com um “encontrar você me cansa”, costuma ser mais fácil conversar sobre condições que você consegue manter: “Quero ir embora depois de umas duas horas” ou “Às vezes só vou conseguir responder no fim de semana”.

Talvez a outra pessoa aceite com uma naturalidade que surpreenda você. Só de deixar de lado o papel que você assumiu por conta própria de “amigo que responde na hora” ou “amigo que nunca recusa um convite”, a vontade de se encontrar pode voltar.

Por outro lado, se toda vez que você expressa um limite recebe acusações, se usam seus segredos para obrigar você a ceder ou insistem repetidamente até passar por cima de uma recusa, vale rever a distância, incluindo a frequência do contato e os lugares onde vocês se encontram. Tentar conversar de novo e de novo não é a única maneira de cuidar de uma relação.

Uma grande amizade tem mais a ver com a facilidade de retomar o contato do que com a frequência

Há pessoas com quem, mesmo depois de seis meses sem se ver, a conversa sobre as novidades flui naturalmente. E há outras com quem você fala todos os dias, mas basta demorar um pouco para responder e a tensão já aparece.

Não é preciso criar uma definição de “melhor amigo” que sirva para todo mundo. Pense, aqui, em alguém com quem você consegue mostrar suas fragilidades e a quem você também quer ouvir, com quem a relação continua apesar das diferenças de opinião e de quem é fácil se reaproximar depois de uma fase corrida.

Se “poder contar com o outro a qualquer hora, sem limites” vira uma condição para a proximidade, os dois podem sofrer. Poder dizer “hoje não consigo” e ajudar em outro dia faz diferença. Uma relação em que é possível tanto pedir apoio quanto dizer não tende a ser mais fácil de manter.

Também não é preciso conversar sobre grandes questões da vida em todo encontro. Pode haver dias em que vocês só comentam o prato feito que acabaram de comer e depois cada um vai para casa. Isso não enfraquece a confiança.

Você não precisa reduzir também os contatos mais casuais

Ter poucos amigos próximos pode ser importante, mas isso não significa que valha a pena eliminar os conhecidos a quem você apenas cumprimenta. A pessoa com quem comenta o tempo no trabalho, quem você cumprimenta com um aceno durante uma caminhada, alguém com quem conversa de vez em quando em um grupo ligado a um hobby. Existem relações em que é bom se encontrar, mesmo sem conhecer a fundo a vida um do outro.

Em um estudo de 2014, Sandstrom e Dunn observaram que, nos dias em que interagiam com mais colegas de turma do que de costume, os estudantes relatavam mais felicidade e maior sensação de pertencimento. Isso dá motivos para prestar atenção também às trocas breves com conhecidos. O resultado, porém, não recomenda que todo mundo aumente a quantidade de interações nem determina um número ideal de amigos. Resumo do estudo

Uma das vantagens dos vínculos mais casuais é justamente não precisar ter conversas profundas toda vez. Um comentário sobre o jogo de ontem ou um estabelecimento que acabou de abrir pode bastar. Você não precisa se esforçar para transformar em uma grande amizade uma relação que funciona bem assim.

Com os amigos do trabalho, concilie proximidade e justiça nas decisões

Ter alguém a quem você consegue perguntar à vontade “Onde encontro a informação para fazer esta tarefa?” reduz as situações em que precisa lidar com tudo por conta própria. Poder conversar rapidamente com alguém que conhece o contexto oferece um apoio próprio do ambiente de trabalho.

A Gallup relata que funcionários que têm um melhor amigo no trabalho apresentam uma probabilidade cerca de sete vezes maior de ter alto engajamento, ou seja, de se envolver ativamente com o trabalho. Essa associação não demonstra que fazer um amigo multiplique por sete a vontade de trabalhar. Explicação da Gallup

Se você tem colegas próximos, garanta que as decisões de trabalho e as informações necessárias também fiquem em um lugar acessível às outras pessoas envolvidas. Não transforme assuntos sigilosos de pessoal ou de clientes em conversa informal. Se a relação for entre chefe e subordinado, a proximidade particular não deve determinar avaliações nem a distribuição de tarefas. Esses limites protegem tanto a amizade quanto a confiança de quem está ao redor.

Além disso, não é preciso concluir que há um romance só porque duas pessoas são próximas. Independentemente do gênero, vale cuidar dos vínculos com quem faz você se sentir à vontade no trabalho. Quando as reclamações viram o único assunto, também é possível mudar o jeito de conversar: voltar ao tema do almoço, limitar o tempo da conversa ou levar o problema a quem pode oferecer a orientação adequada.

Ao dizer “não tenho amigos”, procure entender o que está faltando

Não ter amigos para encontrar nos dias de folga é diferente de não ter a quem recorrer quando surge um problema. Mesmo sem alguém a quem chamem de “melhor amigo”, algumas pessoas estão satisfeitas com as trocas que têm com familiares, colegas de trabalho e conhecidos com quem compartilham interesses.

Antes de contar pessoas, vale se fazer algumas perguntas.

  • Quando você quer contar uma novidade do dia a dia, tem alguém com quem entrar em contato?
  • Se aparece uma dificuldade, você sabe a que pessoa ou serviço pode pedir orientação?
  • Você está aproveitando o tempo a sós ou, na verdade, gostaria de conversar com alguém, mas já desistiu de tentar?

Se o que faz falta é bater papo, não é preciso começar procurando um melhor amigo. Você pode criar uma oportunidade de encontrar outras pessoas e começar com um cumprimento ou uma conversa curta. Se todo o apoio está concentrado em uma só pessoa, saber quais outros conhecidos ou serviços de orientação estão disponíveis ajuda a não deixar todo o peso sobre ela.

Você também pode escrever seus pensamentos em uma ferramenta de IA para esclarecer sobre o que quer conversar. Mas não inclua segredos de outras pessoas nem informações confidenciais do trabalho, e não use as respostas para decidir o que alguém realmente pensa ou sente. Não é preciso concentrar em uma única ferramenta necessidades como pedir ajuda diretamente a uma pessoa ou passar um tempo junto.

No próximo convite, mude uma coisa só

Se você quer rever suas relações, antes de tirar pessoas da lista, tente ajustar o próximo encontro. “Dessa vez só posso ficar uma hora.” “Esta semana quero descansar; gostaria de te ver no mês que vem.” Se, mesmo com essas condições, o encontro continuar sendo bom, talvez o que você quisesse manter fosse aquela pessoa, e o que quisesse diminuir fosse a necessidade de se forçar.

Os amigos com quem você tem conversas profundas, aqueles com quem gosta de comer e os conhecidos que cumprimenta ao encontrar têm qualidades diferentes. Não é preciso exigir a mesma intensidade de todos os vínculos. Vale deixar espaço tanto para o prazer de se ver quanto para a possibilidade de descansar.

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